Proteção Civil
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Espinho testa drone nas praias para acudir a vitimas com paragens cardíacas

A praia de Paramos foi o palco para a apresentação do projeto de socorro por drone a vítimas de paragem cardiorrespiratória nas praias
Em caso de paragem respiratória, drone é acionado com recuso a uma app. Aparelho leva depois até ao local da ocorrência a caixa com o desfibrilhador automático externo.

A Praia de Paramos foi o palco para apresentação nacional de projeto-piloto de socorro por drone a vítimas de paragem cardiorrespiratória nas praias. O consórcio cívico-empresarial entre as empresas Ocean Medical, HP Drones e Inovcorp, e o movimento "Salvar Mais Vidas" pretendem implementar o serviço já no verão de 2021.

Na simulação que decorreu no passado dia 12 de agosto, e perante um banhista em paragem cardiorrespiratória, um nadador-salvador abriu a app no telefone e ativou o envio do drone que, disponível a três quilómetros de distância, percorreu a distância entre as duas praias a cerca de 100 quilómetros por hora.

Cerca de três minutos após levantar voo, o veículo sobrevoava a vítima na localização geográfica indicada pela app e, a 20 metros de altura, fazia descer até ao socorrista a mala com o DAE, através de um guincho de aço apto a aguentar com os cerca de cinco quilos desse dispositivo médico.

O alerta emitido através da app também ativou automaticamente o serviço de emergência 112, pelo que, pouco depois de o nadador-salvador começar a aplicar os choques elétricos no manequim-vítima usado na simulação, chegavam igualmente à praia dois operacionais dos Bombeiros Voluntários do Concelho de Espinho, um por mar, em moto-de-água, e outro pelo areal, em moto-4.

Gabriel Boavida, presidente do movimento cívico "Salvar Mais vidas", defendeu que essa rapidez de ação é a maior vantagem do projeto, considerando que "a paragem cardiorrespiratória súbita é a principal causa de morte em Portugal fora do meio hospitalar", representando cerca de 10.000 óbitos por ano - o que reflete uma taxa de sobrevivência "que ronda os 3%".

Pedro Louro, Coordenador Municipal Proteção Civil e responsável pelo dispositivo de socorro instalado em toda a orla costeira de Espinho, reforça a ideia de que "a mais-valia destes equipamentos [aéreos] está muito associada ao tempo de resposta para intervenção", reduzindo o período decorrido "desde a paragem cardiorrespiratória até à assistência à vítima".

Segundo Marco Castro, diretor-geral da Ocean Medical e porta-voz do consórcio, a escolha de Espinho para arranque da experiência-piloto foi "natural". "Espinho foi o primeiro município a mostrar interesse neste serviço e já é um exemplo em termos de dispositivo de socorro nas praias, pelo que fazia todo o sentido que lançássemos aqui o projeto, que não é inovador em termos de recurso a 'drones' para salvamento, mas é pioneiro a acionar os socorristas".
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