Proteção Civil
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Espinho vai testar 420 pessoas em lares

Autarquia pede "critério" na distribuição dos materiais. Aveiro é distrito prioritário mas Espinho ainda não foi contactado nem recebeu qualquer material
A Câmara de Espinho anunciou a realização de 420 testes em utentes e funcionários dos cinco lares do concelho, mas o município sente que está a ser discriminado e reclama "critérios claros" na distribuição dos materiais para combater a covid-19.
O presidente da autarquia realça que em termos de saúde, Espinho está sob a tutela da Administração Regional de Saúde do Norte, mas em termos de segurança social, depende das decisões emitidas por Aveiro.
"Não podemos ser discriminados por estar na fronteira e o que se vê é que, apesar de o Governo ter incluído Aveiro entre os distritos prioritários para realização de testes em lares, nós ainda não recebemos contacto nenhum para esse efeito e muito menos o material", afirma Pinto Moreira.
Se o autarca social-democrata anuncia a realização "com a maior brevidade possível", de um rastreio geral em três lares locais protocolados com o Estado, um privado e ainda o centro de dia da Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos com Incapacidades, é porque o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho (CHVNGE) "teve sensibilidade para isso".
O diagnóstico vai envolver 260 seniores e 160 funcionários, e realizar-se-á nas próprias instituições, "mediante prescrição pelos agrupamentos de centros de saúde" e após formação técnica às equipas desses estabelecimentos pelo próprio CHVNGE, que emitirá também os resultados dos exames.
Pinto Moreira defendeu que relativamente a testes, ventiladores ou equipamento de proteção individual (EPI) para clínicos, bombeiros, policiais, equipas sociais e voluntários, "ninguém consegue compreender o critério de distribuição adotado pelo Governo - se é que ele existe - e é preciso haver uma clarificação rigorosa" desses procedimentos.
O presidente da Câmara de Espinho realça ainda que "o caso dos ventiladores é particularmente evidente. Dos 144 que chegaram a Portugal, 78 foram para Lisboa e só 63 vieram para o Porto, quando a realidade é que a região Norte tem precisamente o dobro dos infetados da capital".
Ao nível de máscaras, luvas, fatos e outro equipamento de proteção, "é uma absoluta vergonha, uma autêntica desfaçatez que, neste momento tão difícil para o país, o Governo tente enganar de forma aviltante e despudorada as populações, dizendo que nada falta desse material em lado nenhum, quando estamos sempre a receber chamadas com esses pedidos, por parte de centros de saúde, unidades de saúde familiares, hospitais, instituições particulares de solidariedade social, voluntários, paróquias, etc.", disse.
Pinto Moreira admite a hipótese de que esse material possa existir, mas que esteja a ser mal distribuído. Nesse caso, recomenda: "Se de facto a Segurança Social e os ministérios da Saúde e da Administração Interna recebem esse material por avião e depois não conseguem distribuí-lo, então que o façam chegar às câmaras municipais, que nós temos capacidade logística para o entregar rapidamente a quem de facto o merece".
As preocupações do autarca estão refletidas num documento (ver abaixo) que a Comissão Municipal de Proteção Civil de Espinho tornou público e que, abordando as dificuldades enfrentadas no combate à pandemia de covid-19, já foi remetido ao Governo, com cópia a várias tutelas.
A comissão nota que, perante "a fraca resposta do mercado e da Segurança Social", a autarquia já vem colaborando com as estruturas residenciais para seniores "no desenvolvimento dos seus planos de contingência e na disponibilização de alguns EPI", tendo mesmo instalado 204 camas na Nave Desportiva Polivalente para o caso de ser necessário proceder à "evacuação massiva" desses lares.
A comissão quer, contudo, que sejam adotadas pelas autoridades "medidas com caráter de urgência no sentido de solucionar as preocupações legítimas das instituições locais que têm à sua responsabilidade a prestação de cuidados a idosos". Nesse pedido, a prioridade é "o acesso a EPI, a testes rápidos de despistagem contínua para os cuidadores, e a testes PCR [reação em cadeia da polimerase] para cuidadores e idosos com sintomas da infeção".
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