Cultura
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Novo volume dos Cadernos de Espinho

Museu Municipal de Espinho recebe a sessão de apresentação deste 4º volume, dedicado as fábricas que fizeram a história da nossa terra
É já no próximo sábado (15 fev.) às 16h00, no edifício que outrora albergou a imponente Fábrica de Conservas Brandão Gomes, que será apresentado o quarto volume da coleção Cadernos de Espinho, desta feita consagrado aos grandes empreendedores do concelho - com destaque maior para as fábricas que fizeram a história da nossa terra.
Mas como este projeto tem uma dinâmica muito peculiar, fruto do empenho bairrista dos quatro amigos espinhenses que estão a dar-lhe corpo - o historiador Armando Bouçon, o designer Pedro Pinheiro e os jornalistas Luís Costa e Mário Augusto - os 5º e 6º volumes da coleção já estão em fase de recolha de dados e de produção editorial.
Assim, o 5º volume será dedicado às artes e à cultura do concelho de Espinho, com destaque para a suas principais instituições, equipamentos e coletividades, sem esquecer as personalidades que se destacaram neste domínio ao longo dos anos. Este 5º volume tem prevista a sua publicação ainda no mês de abril.
E o 6º volume, que deverá ser apresentado em junho por ocasião do Dia da Cidade, será dedicado à história apaixonante da luta pela autonomia de Espinho, que até agosto de 1899 era uma freguesia do concelho da Vila da Feira e, a partir de então, tornou-se concelho, finalmente. A este propósito, sublinhe-se a importância do livro "Autonomia de Espinho e os protestos da Villa da Feira" editado em 1900, ou seja, há precisamente 120 anos, que é especialmente violento para os então defensores dos interesses da autarquia feirense: "Não te votamos ódio [Vila da Feira], apesar de tudo; mas temos dó de ti, porque já foste grande e respeitada e hoje arrastas uma vida miserável! A culpa não foi tua, foi dos filhos degenerados e pervertidos que te levaram a esse estado! Das 94 freguezias que contavas no primeiro quartel d'este século, restam-te 35! Espinho foi a ultima a emancipar-se da tua tutela e a dizer-te adeus! Não o querias consentir e por todos os modos e meios ao teu alcance o procuraste evitar! Não admira, porque era a melhor jóia da tua coroa, a tua melhor fonte de receita e a tua sala de visitas."
Quanto ao 4º volume que será apresentado este sábado, os seus 12 capítulos abordam temas como os primeiros empresários do concelho de Espinho, a Fábrica de Conservas Brandão Gomes, a indústria da metalurgia e da fundição - com destaque para a Fábrica Progresso e A Vigorosa -, a Fosforeira Portuguesa, a Luso-Celuloide, a Hércules, o setor das tapeçarias (com especial sublinhado para os empreendedores Heliodoro Pereira da Silva, Manuel Pereira Fontes e Joaquim Ferreira de Sá) ou as indústrias da panificação e da madeira, entre muitas outras referências.
Pela sua dimensão e importância histórica, duas fábricas em concreto merecem, no contexto deste livro, uma abordagem mais aprofundada.
Uma delas é a Brandão Gomes, fundada em 1894 por iniciativa dos irmãos Henrique e Alexandre Brandão e também de Augusto Gomes, regressados do Brasil, onde obtiveram fortuna considerável, que apetrecharam a nova fábrica com as tecnologias mais modernas para a época, importadas de indústrias francesas, holandesas e alemãs. A imagem de marca da Brandão Gomes era a sardinha, mas a fábrica colocava no mercado um leque variado de produtos: outros peixes, carnes, legumes, frutas, compotas, queijos, azeite, pickles e refeições preparadas. A partir da divisa "melhorando sempre", os empresários delinearam uma estratégia eficaz de publicidade e marketing que lhes permitiu o domínio de todos os segmentos de mercado do ramo conserveiro. O rei D. Carlos nomeou-a inclusive fornecedora da Casa Real por alvará régio de 1895.
A outra fábrica a merecer uma abordagem mais aprofundada é a Fosforeira Portuguesa, criada na década de 20 do século passado pelo banqueiro António Vieira Pinto, um dos diretores do Banco Pinto & Sotto Mayor, com domicílio da sociedade em Espinho e, posteriormente, com sedes em Lisboa e Porto (em Lisboa, na Rua Augusta; no Porto, na Avenida dos Aliados). Empresa à frente do seu tempo, inovadora em diversos domínios da ação social, a Fosforeira Portuguesa estava dotada de creche e refeitório (em que a sopa sempre foi gratuita) e pagava a todos os seus trabalhadores a designada "semanona", isto é, uma semana de descanso anual remunerada.
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